Um ano depois de publicar o romance Sábado à Noite e Domingo de Manhã, livro que causou imediato furor entre a crítica e o público, Alan Sillitoe lançou A Solidão do Corredor de Fundo, livro de contos, onde o autor se inspira em memórias da sua infância e juventude, sendo muitos, aliás, narradas por crianças. O mais fácil é afirmar que a solidão se destaca como tema central destas nove histórias, a par da criminalidade, e da moralidade; mas optamos por realçar a integridade, a coragem, e a rebeldia da classe trabalhadora contra o sistema.
No conto que dá título ao livro, ainda hoje considerado uma pérola da literatura, narra-se a história de um adolescente num reformatório que descobre uma especial vocação para correr e que aproveita a oportunidade para desafiar a autoridade que lhe governa a vida.
A tradução é de José Miguel Silva.
| ISBN | 9789899286047 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 232 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Maldoror |
| Categorias |
Livros > Literatura
Alan Sillitoe
Alan Sillitoe nasceu a 4 de Março de 1928 nos arredores de Nottingham, filho de um operário de curtumes analfabeto, e neto de um ferreiro, também analfabeto. Foi, porém, precisamente com os avós, mas os maternos, que Sillitoe ganhou amor aos livros e à leitura, já que estes albergavam uma sóbria colecção de livros, na casa onde Sillitoe passava fins-de-semana e férias escolares. Além dos livros, também a violência doméstica, a fome e a pobreza lhe marcaram a infância; o pai de Sillitoe, além de violento, estava frequentemente desempregado. Apesar do encorajamento da avó materna, que incentivou o neto a fazer exames para conseguir obter uma bolsa de estudo para frequentar o ensino secundário, Sillitoe deixou a escola aos catorze anos para trabalhar, percorrendo diversas fábricas nos anos seguintes, como torneiro mecânico, e aproveitando os tempos livres para ler. Em 1945, tornou-se assistente de controlo de tráfego aéreo no Ministério da Produção Aeronáutica, alistando-se em seguida na Royal Air Force, onde trabalhou como operador de rádio. (Anos mais tarde, confidenciou que manteve a transmissão em código Morse como uma prática que o ajudava a relaxar e a superar momentos de bloqueio criativo.) Enquanto estava destacado na Malásia, um colega operador emprestou-lhe um exemplar de The Ragged-Trousered Philanthropists, um clássico da literatura da classe operária, do irlandês Robert Tressell, que lhe causou enorme impacto e uma impressão duradoura. Uma vez regressado à Grã-Bretanha, Sillitoe planeava alistar-se na Real Força Aérea Canadiana, mas foi diagnosticado com tuberculose, e passou mais de um ano internado num hospital da RAF, período que aproveitou para ler avidamente e começar a escrever. Foi numa livraria, no regresso a Nottingham, já reformado da RAF, que se apaixonou pela poetisa americana Ruth Fainlight, então com dezanove anos. Em Janeiro de 1952, os dois embarcaram rumo ao continente, passando por França, Itália e Espanha durante os seis anos seguintes. Nesse período, Sillitoe escreveu inúmeros contos e poemas, para além de vários romances, embora não tenha conseguido encontrar uma editora que lhos publicasse. É no Outono de 1956, incentivado pelo romancista Robert Graves, que Sillitoe começa a escrever Sábado à Noite e Domingo de Manhã, livro que viria a ser publicado em 1958, com imediato furor entre a crítica e o público, sendo eleito o melhor romance do ano pelo Observer, e recebendo, em 1959, o Prémio do Clube de Autores de Melhor Primeiro Romance de 1958. Um ano depois, publicou A Solidão do Corredor de Fundo, livro que ganhou o Prémio Hawthornden e foi elogiado pelo The Times como «gráfico, duro e franco». Neste conjunto de nove histórias, onde Sillitoe se inspira em memórias da sua infância e juventude, sendo muitas, aliás, narradas por crianças, é fácil afirmar que a solidão se destaca como tema central, a par da criminalidade, e da moralidade; mas optamos por realçar a integridade, a coragem, e a rebeldia da classe trabalhadora contra o sistema. No conto que dá título ao livro, ainda hoje considerado uma pérola da literatura, narra-se a história de um adolescente num reformatório que descobre uma especial vocação para correr e que aproveita a oportunidade para desafiar a autoridade que lhe governa a vida. À semelhança do primeiro livro de Sillitoe, este conto foi adaptado ao cinema em 1962, por Tony Richardson, com Sillitoe a colaborar enquanto argumentista, num filme que desafiou as regras do cinema que se fazia até então — foi inteiramente rodado no exterior, sem recurso a estúdios, valeu-se de um reformatório real, e usou os reclusos como figurantes. Alan Sillitoe levou os anos seguintes a escrever; uma vintena de romances, vários livros de contos, peças de teatro, livros de poesia, histórias para crianças e mais algumas adaptações ao cinema. Em 1995, publicou a sua autobiografia, Life Without Armour. Morreu de cancro a 25 de Abril de 2010, com oitenta e dois anos. |


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