Em Cinzas & Sudário, Aurelino Costa escreve a partir de um tempo ferido, onde a palavra poética já não pode ser neutra nem ornamental. Este é um livro atravessado pela violência do mundo contemporâneo, pela memória dos corpos e da terra, pela consciência do colapso moral e histórico que marca o nosso presente. A poesia surge aqui como gesto de testemunho, de denúncia e de resistência, recusando o conforto e assumindo o risco da aspereza. Os poemas movem-se entre a sátira corrosiva, a elegia contida, a ironia trágica e uma atenção profunda aos gestos arcaicos — o trabalho manual, a infância, a paisagem, a matéria — que persistem como reservas éticas num mundo em ruínas. A escrita alterna o excesso verbal e a depuração extrema, construindo um ritmo tenso, por vezes abrasivo, sempre consciente da sua responsabilidade histórica. Cinzas & Sudário afirma a poesia como lugar último de lucidez e dignidade. Um livro exigente e necessário, que confronta o leitor com aquilo que permanece depois da catástrofe: a palavra, a memória e a possibilidade — frágil, mas irredutível — de sentido.
| ISBN | 9789899265493 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 76 |
| Capa | Brochada |
| Editora | The Poets and Dragons Society |
| Coleção | Dark Matter |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Aurelino Costa
Aurelino Costa nasceu em Argivai, Póvoa de Varzim, em 1956. É licenciado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Poeta de percurso sólido na poesia portuguesa contemporânea, publicou, entre outros livros, Gadanha, nomeado para o Prémio Autores SPA 2019, e Casa e Logradouro, finalista do Prémio Livro do Ano Bertrand de Poesia 2023. A sua obra está traduzida para várias línguas. Desenvolveu intensa actividade como diseur e colaborou em projectos musicais e culturais com António Victorino d’Almeida e Jordi Savall. Em 2022, foi distinguido pelo Município da Póvoa de Varzim com a Medalha de Reconhecimento Poveiro. |


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