Mais uma abordagem sobre Fernando Pessoa… Mas qual deles? Cada um pretende ter-lhe sido apresentado, mas se, na verdade, é impossível, a quem quer que seja, conhecer o seu si mesmo, muito menos se pode conceber que alguém, em verdade, o tenha conhecido a ele. Ninguém consegue explorar a toca secreta de ninguém. Todos conhecemos os progressos (ou serão fiascos?) da Psicologia, da Psiquiatria e das Neurociências. Daí que o Poeta tenha almejado querer ser tudo e todas as coisas, ao mesmo tempo, sem se contentar em ser aquilo que genuinamente era: um puro génio poético que tropeçava em si, cada vez que tencionava “outrar-se”: fosse como filósofo, como viajante, com empresário, e mesmo, como amante. Conseguia ser sublime sem escapar à abjecção. O seu sonhado Oriente acabava sentido como uma esteira que se pode enrolar. O seu indomado racionalismo paralisava-o. A sua frustração em relação ao mundo e ao seu próprio aspecto, manietava-lhe a alegria impedindo-o de genuína empatia para com a Natureza epara comoseu próprio semelhante. Não era, todavia, nem uma má nem uma boa pessoa. Ninguém poderá dizer dele senão uma única coisa: desde menino que o habitava a deusa fulgurante da Poesia… Dele podemos dizer que nunca ninguém o conheceu.
| ISBN | 9789727809684 |
|---|---|
| Ano | 2024 |
| Número de páginas | 520 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Âncora Editora |
| Categorias |
Livros > Literatura
Adalberto Alves
Adalberto Alves deve ser dos poucos que, chegados ao Outono da sua vida, sabem que dentro de si arde uma chama de perpétua juventude, a conquista de se ter caminhado a si próprio. Chama que no seu olhar expressa-se com ser melancolia e compreensão, a de quem se reconciliou, depois de uma vida de combates, com o severo olhar do Tempo, pai de todos os deuses… Incansável viajante, árabe de coração e, quem sabe nas suas lembranças,… Enamorado, como todo o místico, dos resplendores da sua própria alma. Na sabedoria dos eremitas do deserto — ou dos morábitos do Portugal islâmico — ou nas entrelinhas do discurso de Krishnamurti, no qual desaparecem Amante e Amado, mestre e discípulo, ficando o homem desnudo envolto pelo silêncio. |


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