Aprendi com Kleist que não há mal absoluto (o que não afecta o conceito de mal radical nem a sua versão arendtiana de«banalidade do mal»), quase equivalente a «Deus escreve direito por linhas tortas» ou a uma concepção cósmica do mal. Bem,cósmico é capaz de ser exagerado, talvez seja suficiente subir ao pico de um monte (e não é preciso que seja nos Himalaias).
Vemos então que os atrasos e os adiamentos da exposição da Ana Izabel (desde 2019), que pareciam tão irritantes e desmoralizadores, acabaram por se mostrar favoráveis, propícios. A artista mudou tudo, a primeira leva de desenhos de jardinsa tinta-da-china (caneta) sobre papel foi despachada para lugar protegido e, em vez deles, apareceram vinte desenhos em papelde arroz pincelado a tinta-da-china diluída em águae três dezenas de pequenas esculturas, moldadas emterra, que espontaneamente foram baptizadas comoOrelhas. E são. Agora fazem parte de um conjuntochamado Nuit. Os desenhos chamam-se Floresta.
[…]Não será por acaso que Ana Izabel MirandaRodrigues começou por preparar a exposição para aGiefarte com uma série de desenhos de jardins, e depois os substituiu pela série das florestas. Continuamos no reino elementar (as plantas alimentam-sedirectamente de luz e de ar, a água e a terra penetramnelas através dos seus órgãos), em que o desejo sossega e as angústias do tempo tendem a apaziguar-se,isto é, o encontro consigo mesma aprofunda-se. Aí oouvido nocturno põe-se alerta e dispõe-se a escutar.
[Maria Filomena Molder]| ISBN | 9789895680702 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 96 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Artes > Arte
Ana Izabel Miranda Rodrigues
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