E, porque se fala em olhar, o que conta verdadeiramente éa sua construção, o olhar vai-se fazendo, faz parte do fotógrafo.
O experiencialismo, no estético, formulário e no sentido,molda e esclarece o olhar e a organização de projetos. É istoque aqui vemos, o que o fotógrafo foi fazendo e transmitindo,em forma abstrata ou de grafismos, olhando o mundo ao seumodo, (seja nos tecidos onde o módulo se repete, como emazulejaria, em seriados ou sequências, seja num enquadramento de camisas axadrezadas de homens incautos, confinados pelo enquadramento). Pedro Lobo já nos deu muitas belasimagens. Não o esquece neste conjunto, como também recolhe os momentos estéticos que uma Natureza não estética nosdá. Mas a maioria do que de humano aqui nos surge é indecifrável e enigmático, são vidas alheias que seguem no caminhoe que acreditamos entender. Podem ser lembradas em caixilhosdatados ou séries de fotografia doméstica, lembrando o movimento crítico contra a fotografia do último quartel do séculoXX; aqui são ainda testemunhos da memória, coisas subjetivasque alimentam os espaços e as decisões. Do mesmo modo asimagens do desleixo das arrumações, estantes e armários,cabides e outros instantes do olhar sentidamente social. Massempre, o olhar subjetivo sobre realidades e seus signos, dostrabalhos e dos dias, do muito que o homem foi fazendo, a catedral gótica, a boneca de plástico e o manequim, a roupa nocabide, a cúpula ou o avião, o caminho empedrado ou aquelebode domesticado, mas rebelde.
[Teresa Siza]| ISBN | 9789895680528 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 208 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Artes > Fotografia
Pedro S. Lobo
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