詩人フェルナンド・ペソーアはいつも頭に帽子をかぶっていた。この詩人の頭の中にあったのは想像力だ。その想像力は、かぶった帽子をべつのものに変貌させてしまうほどだった。彼の帽子は、予期せぬもの、独創的なもの、すべての重要なもの、あらゆる特別なものなど、さまざまなものへと姿を変えた。それだけではない。この帽子は、アルヴァロ・デ・カンポス、アルベルト・カエイロ、リカルド・レイス、ベルナルド・ソアレスなど(彼らは、ペソーアが頭の中でつくりだしたこの詩人とは異なる人生や作品を持った詩人たちのことだ)、才気溢れる他の詩人の帽子に姿を変えることもあった。それは一種の魔法であり、ポエジーというかたちをとってあらわれた。そしてこれらの帽子は最後にはひとつになった、フェルナンド・ペソーアの詩人の帽子に。
ちりばめられた手がかりを頼りに、よく知られた詩に身を置き、想像力を駆使して、フェルナンド・ペソーア - 二十世紀最大の詩人のひとり あるいは、多くの人にとってはおそらくは時代を超えた最大の詩人のひとり - の帽子を創造し、描き、色づけてみよう。
O poeta Fernando Pessoa usava sempre um chapéu na cabeça. Dentro da cabeça vivia a sua imaginação. E essa era tal que acabava por transformar o chapéu. Transformava-o em coisas várias, inesperadas e originais, todas importantes, todas especiais. Às vezes, em chapéus de outros poetas, com nomes engraçados, como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares e outros mais. Poetas inventados por si, na sua cabeça de poeta, com vidas e escritas diferentes das suas. Era uma espécie de magia. No fundo, era poesia. E todos esses chapéus acabavam por ser um só: O Chapéu de Poeta de Fernando Pessoa.
Segue as pistas e, entre versos célebres, usa agora a tua imaginação para criar, desenhar e pintar os vários Chapéus de Fernando Pessoa — um dos maiores poetas do século XX. Para muitos, talvez até de todos os tempos.”
| ISBN | 9789893589625 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 64 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Dilúvio |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Fernando Pessoa
Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares. Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como “correspondente estrangeiro”. Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista “Orpheu”, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta. Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista “Orpheu” (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, “Mensagem” (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. |


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