Amália Rodrigues (1920-1999), la più celebre cantante di Fado di tutti i tempi, è stata anche una poetessa notevole, sebbene solo negli ultimi anni della sua straordinaria carriera abbia deciso di cantare sistematicamente i propri versi e autorizzarne la pubblicazione. Le poesie di Amália, inscrivendosi in una tradizione lirica popolare, ma al contempo in grado inoltre di riflettere la sua profonda conoscenza delle opere di alcuni dei maggiori poeti di lingua portoghese, da lei cantate durante tutta la sua carriera, abbracciano una vasta gamma di temi ed emozioni: da esempi di giochi di parole pieni di virtuosismi e umorismo, alla rievocazione idealizzata delle tradizioni rurali secolari e all’espressione di un profondo sentimento di disperazione di fronte all’inevitabilità di un’angoscia interiore permanente, dettata dal destino. In tal senso, ci trasmettono il segreto della visione del mondo racchiusa nella lirica del Fado, aiutandoci a comprendere più a fondo questo genere musicale così distintamente portoghese, capace di catturare, nel corso di due secoli, l’identità culturale del Portogallo nella sua essenza, guadagnandosi perciò un posto nella Lista Rappresentativa del Patrimonio Culturale Immateriale dell’Umanità, riconosciuto dall’UNESCO. La presente edizione bilingue raccoglie tutti i poemi di Amália finora pubblicati e qui tradotti per la prima volta in italiano da Antonio Cardiello. È inoltre impreziosita da illustrazioni originali di André Carrilho e da un nuovo studio critico introduttivo, redatto dal più rinomato storico contemporaneo del Fado, Rui Vieira Nery.
| ISBN | 9789893589649 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 328 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Dilúvio |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Amália Rodrigues
Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, a 1 ou 23 de julho de 1920, no seio de uma família de imigrantes da Beira Baixa. Após algumas experiências iniciais como amadora, começou a sua carreira profissional aos 19 anos, primeiro no circuito das casas de Fado, começando pelo Retiro da Severa, e em seguida também nos teatros de revista (1940-1946). Quando participou nos seus primeiros filmes, Capas Negras (Armando Miranda) e Fado, História de uma Cantadeira (Perdigão Queiroga), em 1947, era já a fadista mais consagrada e melhor paga da sua geração. A sua primeira apresentação internacional teve lugar na Embaixada Portuguesa em Madrid, em 1943, ao que se seguiram duas longas temporadas no Brasil (1944-46), concertos em Paris e Londres (1949), uma extensa digressão europeia sob o patrocínio do Plano Marshall (Berlim, Roma, Trieste, Dublin, Berna e Paris), bem como apresentações triunfantes no México e nos Estados Unidos. Em 1955, o êxito da sua participação no filme Les Amants du Tage (Henri Verneuil) fez com que fosse convidada no ano seguinte a cantar numa das salas de espetáculos de maior prestígio na Europa, o Olympia de Paris, e durante mais de três décadas atuou em muitos dos festivais e salas de espetáculos mais relevantes do mundo, tanto na Europa (incluindo uma digressão pela ex-União Soviética e duas participações no Festival de Brașov, na Roménia socialista) como no Brasil (Canecão), nos Estados Unidos (Lincoln Centre, Holywood Bowl, Carnegie Hall), no Japão (Sankei Hall) e no Médio Oriente, afirmando-se deste modo como a mais célebre personalidade artística portuguesa no circuito musical mundial. No início da sua carreira cantava sobretudo os fados estróficos tradicionais, mas a partir da sua entrada no Teatro, na década de 1940, os seus maiores sucessos passaram a ser os fados-canção com coplas e refrão, especialmente os do compositor Frederico Valério. Nos anos 50 teve um papel decisivo ao conseguir que alguns poetas eruditos significativos (Pedro Homem de Melo, David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo, Sidónio Muralha) começassem a escrever para o Fado. Nas duas décadas seguintes a sua colaboração com o compositor luso-francês Alain Oulman levou ao desenvolvimento de um novo tipo de Fado, com uma estrutura harmónica mais complexa e formas poéticas de métrica mais diversificada, o que lhe permitiu alargar o seu repertório a outros poetas contemporâneos (incluindo Manuel Alegre, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O’Neill e a brasileira Cecília Meirelles), bem como a alguns dos mais representativos poetas da Literatura Portuguesa do passado (dos trovadores medievais a Luís de Camões e aos Românticos), para lá, já no final das sua carreira, à sua própria poesia. Estabeleceu assim uma ponte única entre a cultura erudita e a popular. Mas o seu repertório de concerto incluía igualmente canções tradicionais portuguesas de outros géneros, bem como um largo espectro de canções populares urbanas espanholas, francesas, italianas, brasileiras, mexicanas ou norte-americanas. Retirou-se dos palcos em 1994, por motivos de saúde, e morreu em sua casa, em Lisboa, a 6 de outubro de 1999. Recebeu numerosos prémios e condecorações, tanto em Portugal (Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa) como em França (Comendadora da Ordem das Artes e Letras, Medalha de Vermeil da Cidade de Paris, Legião de Honra) e Espanha (Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica). O seu funeral reuniu uma multidão de centenas de milhares de pessoas nas ruas de Lisboa e o seu corpo foi posteriormente tresladado para o Panteão Nacional – a primeira vez que tal sucedeu com um artista. A Fundação Amália Rodrigues, estabelecida pelo seu testamento, é uma instituição cultural e social que desenvolve um trabalho de preservação, estudo e divulgação da sua vida e obra, gerindo nomeadamente a Casa-Museu Amália Rodrigues, e distribuindo ainda os Prémios Amália Rodrigues em diversas categorias musicais. Uma edição integral da sua discografia, incluindo numerosas versões alternativas e gravações ao vivo, está presentemente em curso, coordenada por Frederico Santiago. |


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