Ao longo destes anos, trabalhei diariamente, dedicando-me de corpo e alma a uma escultura que pudesse, de algum modo, transmitir os meus medos, as minhas alegrias, os meus anseios, aquilo que sou enquanto ser humano.
Foram horas, dias, meses, anos de árduo labor oficinal em diálogos solitários com a matéria. A Obra, imagem nítida ou turva, é trabalhada mentalmente muito antes de emergir no plano físico. A imagem é construída, destruída, reconstruída, modificada, alterada, rejeitada, rebuscada e o processo não pára até ter a certeza da sua execução.
É chegado o momento em que a hesitação do gesto evidencia a probabilidade de não haver mais nada a dizer, nada a acrescentar, nada a retirar. A imagem mental de há alguns meses atrás está finalmente à minha frente, fisicamente. Passou a existir enquanto forma e faz parte do mundo real. Seguramente, a colocação da escultura no seu espaço público é um dos momentos mais difíceis. É pelo olhar dos outros que me vou lentamente afastando da minha obra, sentindo que algum elo se quebrou e que a obra se tornou autónoma.
| ISBN | 9789896589578 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 168 |
| Capa | Cartonada |
| Editora | Caleidoscópio |
| Categorias |
Livros > Artes > Arte
Vítor Serrão
Vítor Serrão (n. Toulouse, França, 1952) é Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e autor de vasta bibliografia sobre arte da Idade Moderna, Ciências do Património e Teoria da Arte. Entre os seus livros e catálogos de arte destacam-se O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses (1983), Josefa de Óbidos e o tempo barroco (1991), A Pintura Maneirista em Portugal – Arte no Tempo de Camões (1995), A Pintura Proto-Barroca em Portugal, 1612-1657 (2000), A Cripto-História de Arte. Análise de Obras de Arte Inexistentes (2001), O Renascimento e o Maneirismo (2002), O Barroco (2003), A Trans-Memória das Imagens. Estudos iconológicos de pintura portuguesa (2005), O Fresco Maneirista do Paço de Vila Viçosa, Parnaso dos Duques de Bragança (2008) e Os Retratos dos Meses da Concatedral de Miranda do Douro (2019). É investiga- dor do centro ARTIS-IHA-FLUL, membro da Academia Portuguesa da História, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia de Marinha e vice-presidente da Academia Nacional de Belas. Pertence à comissão editorial das revistas Monumentos, ARTIS, ARTisON, Quintana e BSAA. |


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