No início de Terno e Cruel (2004), uma mulher segura uma almofada branca, mais tarde são-lhe oferecidos crisântemos brancos, e no final alguém lê que “a vergonha e a verdade vão vestir de branco” e abandonar os mortais. O branco é Terno e Cruel, símbolo de alvura e de luto. Reescrevendo Traquínias, de Sófocles, no rescaldo da Guerra do Iraque, Martin Crimp desdobra os destinos de Dejanira e Héracles nas personagens Amelia e General, assombrados pela causa e efeito de um genocídio contemporâneo algures na África subsariana. Desenham-se dois universos aparentemente distintos – o da tragédia doméstica e o da guerra –, que se confrontam no exílio de uma casa temporária, um não-lugar, um espelho da falência moral de um mundo movido a mentiras. E o amor? Em Terno e Cruel, o amor é uma arma de destruição em massa, um aguilhão oculto perto do coração.
| ISBN | 9789897559785 |
|---|---|
| Ano | 2024 |
| Número de páginas | 96 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Húmus |
| Coleção | TNSJ |
| Categorias |
Livros > Artes > Teatro
Martin Crimp
Martin Crimp, nasceu em 1956 em Dartford, Kent. As primeiras peças para teatro foram criadas pelo Orange Tree Theatre de Richmond, na periferia de Londres. No decorrer dos anos 90 começou a ser reconhecido fora de fronteiras, graças a uma residência em Nova Iorque e à colaboração no Royal Court, em 1997. Tracce di Anne é criada pelo Piccolo Teatro de Milão (1999), The Country pelo Berliner Ensemble, Ciel blue ciel, pelo Théatre de la Colline (2008). Crimp é também tradutor e adaptador de Ionesco, Koltès, Molière, Marivaux, Tchecov e Genet, Eurípedes. Em 2012 faz a sua primeira encenação, Play House / Definitely the Bahamas, no Orange Tree Theatre. Em 2018 o Teatro da Rainha em corealização com o TNSJ fez O resto já devem conhecer do cinema. Para além de um exímio subversor e criador de formas Crimp escreve as suas peças como partituras, inventando uma notação própria para ritmos e sobreposições de fala. Não é por acaso que toca piano.
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