O TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA (1763) constituiporventura um dos escritos mais significativos docombate que, sobretudo a partir de finais da década de50, Voltaire desenvolve contra o conservadorismo maisradical, o espírito de intolerância religiosa que lhe andaassociado e as estruturas judiciais mais arcaicas doAntigo Regime. Tomando a defesa da família Calas,perseguida com a maior crueldade pelas autoridades deToulouse, Voltaire empenha-se pessoalmente noprocesso de revisão da sentença que levara Jean Calasao patíbulo e acaba por redigir um volume cujo alcanceexcede em muito as circunstâncias que o motivam. Estaobra tornar-se-á assim um clássico da literatura que,para lá de toda a distância histórica, apresenta grandeactualidade no nosso tempo: é que o autor dirige o seucombate contra formas concretas de exercício do poderjudicial e contra a promiscuidade entre a ideologia e osmecanismos da justiça. Sem perder o sentido daconflitualidade política, sem reduzir o problema datolerância ao desejo pueril de um horizonte deindiferença apaziguadora, Voltaire coloca-nos perante aideia de tolerância como combate continuado, comoconquista infindável, como prática de transformação denós mesmos, muito para lá do estrito problema religiosoe das localizações geográficas em que possa parecerconfinar-se. A tolerância diz respeito a cada um de nós,como forma de se ver a si mesmo e ao outro, enquantosujeitos de conflitualidade que todos nós somos.
| ISBN | 9789726084365 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 224 |
| Edição | 3 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Antígona |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
Voltaire
François-Marie Arouet nasceu em Paris no ano de 1694 e foi registado como filho de um bem-sucedido notário parisiense, François Arouet, e da sua esposa, embora ele próprio suspeitasse ser filho da Sra. Arouet e de um poeta menor. Após estudos num colégio jesuíta, no qual apreciou sobretudo as peças de teatro escolares, decidiu lançar-se numa carreira literária e na sociedade: uma e outra lhe valeram duas estadas na prisão da Bastilha (por uns panfletos satíricos primeiro, por uma briga com um nobre depois). Ao sair da prisão deu a si próprio o nome de Senhor de Voltaire. Foi dramaturgo, historiador, filósofo, divulgador científico, homem de negócios, membro da Academia das Ciências de França, agricultor, proprietário, investidor de capital de risco, activista dos direitos civis e humanos, homem da corte desterrado no campo e, sobretudo, o autor mais célebre, admirado e odiado do seu tempo. Morreu em 1778, pouco depois de regressar a Paris após um exílio de mais de 20 anos. A sua obra é extensíssima e nunca foi esgotada numa só colecção. Cândido, ou o Optimismo é uma das melhores novelas da história da literatura e Micromegas é um dos seus famosos «contos filosóficos». |


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