Vida no Campo não é uma, são muitas janelas abertas em simultâneo. Perdidos os nexos estáveis que desvendavam o filme-narrativa da realidade do rural, o actual contexto de mudança acelerada está a desmultiplicar até ao infinito as representações sobre a ruralidade: a pos-, a neo-, a des-ruralizacão.
A leitura do rural redistribui-se e dissipa-se em múltiplas esferas, ou, então, é condensada e fantasiada numa só. É impossível manter todas estas janelas abertas em simultâneo e daí nasce uma crise de sentido. É difícil reaprender o rural e sobre ele construir novas identidades. É difícil encontrar continuidades entre as memórias mais ou menos ficcionadas do passado e o que lhes está a acontecer. É difícil entender a simultaneidade e a contradição dos acontecimentos e o modo como se sucedem. É difícil, sobretudo, controlar as emoções acerca do que acontece. Estamos a um passo de uma crise total de sentido. Esta conjuntura produz-se numa hiper-abundância de imagens e elas organizam-se em múltiplas narrativas. Serão listas infinitas de imagens, sensações e emoções, uma Vida no Campo et cetera, isto é, uma vida que tende a conter uma infinidade de coisas e relações entre coisas.
| ISBN | 9789898217196 |
|---|---|
| Ano | 2012 |
| Número de páginas | 320 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Dafne Editora |
| Categorias |
Livros > Artes > Arquitectura
Álvaro Domingues
Álvaro Domingues (Melgaço, 1959) Geógrafo e professor na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU — Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo. Além das suas funções docentes na Universidade do Porto e noutras universidades, publica com regularidade sobre temáticas relacionadas com a geografia urbana, o urbanismo e a paisagem. Entre outras obras mais recentes, é autor de Rua da Estrada (Dafne, 2009), Vida no Campo (Dafne, 2012), Território Casa Comum (com Nuno Travasso, FAUP, 2016), Volta a Portugal (Contraponto, 2017). Escreve regularmente no jornal Público.
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